Assassinos de Marielle assistiram a jogo do Flamengo na Libertadores após matarem vereadora, diz PF

O relatório final da Polícia Federal sobre os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes mostrou que os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz assistiram ao jogo entre Flamengo e Emelec, válido pela Taça Libertadores da América, após matarem a vereadora e o motorista, em14 de março de 2018. As investigações mostraram que o carro utilizado na emboscada e a bolsa contendo a arma e demais objetos foram deixados na casa da mãe de Lessa. Durante a partida, o desmanche do veículo foi negociado.

 

Segundo o relatório, Lessa mandou uma foto para Élcio por meio de um aplicativo de mensagens no dia do crime, confirmando que Marielle seria o principal alvo. Após as mortes, os dois dirigiram até a casa da mãe de Lessa. No local, contaram com a ajuda do irmão do ex-policial, Denis Lessa, que solicitou um táxi para as proximidades do condomínio Vivendas da Barra.

Do residencial, os dois seguiram no carro do ex-PM até um bar para acompanhar a partida, válida pela fase de grupos da Libertadores. Lessa e Élcio encontraram o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, e passaram a falar sobre a destruição do carro usado no crime.

“Ainda adrenalizados e já começando a acompanhar a repercussão do crime no noticiário, num momento em que Suel se desvencilha de sua esposa, cuja presença não é suportada pelos executores, e vice-versa, Ronnie pediu para que ele lhe ajudasse a destruir o veículo no dia seguinte, fazendo a intermediação com o nacional de alcunha Orelha [Edilson Orelha], notório responsável por ferros-velhos e oficinas de desmanche de veículos na região de Rocha Miranda, Zona Norte do Rio de Janeiro”, diz o relatório policial.

A PF concluiu que o carro utilizado na execução só foi retirado das proximidades da casa da mãe de Lessa no dia 16 de março de 2018. O veículo é encaminhado para o desmanche em seguida, segundo a delação de Élcio.

Armas e munições

Os investigadores mostraram que o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, preso neste domingo (24), exigiu que a submetralhadora utilizada no crime fosse devolvida. Em uma reunião com os irmãos Brazão, Macalé e Lessa tentaram convencer os supostos mandantes a não acatarem o pedido. “Macalé prontamente tentou demover Domingos [Brazão] da ideia, mas não obteve sucesso. Domingos ressaltou que a arma deveria ser recolocada no lugar, sem especificar qual”, informa o relatório.

Três dias depois, a dupla “sacou os carregadores de seu interior e se dirigiu a um córrego a dois metros dali, momento no qual se debruçou sobre uma cerca e dispensou as munições sobressalentes na água.”

 
 
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